Bom, não há muito o que comentar sobre o Divertics, lançado pela TV Globo na tarde deste domingo (8). O título deste artigo já diz tudo: o novo programa humorístico dirigido por Jorge Fernando nada mais é que um Zorra Total, gravado em tempo real sob os olhares do público. Ou seria uma versão mais popularesca do Saturday Night Live? Tentaram se aproximar do sucesso Porta dos Fundos e, mesmo assim, a atração trouxe o velho humor pasteurizado característico e já defasado da “vênus platinada”. Decepcionou aos que esperavam algo novo nas tardes de domingo. Desculpem-me, mas até as risadas da plateia pareceram forçadas.
O elenco fantástico e o cenário é muito bonito, mas não foi o suficiente para segurar o roteiro fraco e sem sentido do programa. Aliás, mesmo com a verba de R$ 1 milhão por semana, a atração conseguiu ser pior que os últimos episódios do extinto A Turma do Didi (aliás, deu vergonha alheia do Renato Aragão na esquete dos “bordões roubados”). Divertics prova que grana alta não é tudo em televisão. Os contratados da casa Marcelo Adnet e Tatá Werneck, por exemplo, conseguiam fazer milagres com verba mínima na MTV Brasil. Talento é talento e o público sabe reconhecer isso.
“Ah, Brinco, mas Divertics é um programa vespertino e dominical. Tem que ter humor leve mesmo para respeitar a família brasileira”. Olha, se não dá para fazer com liberdade, é melhor não fazer. Poderiam ter usado o formato – com outro roteiro, obviamente – e exibi-lo após o Fantástico, por exemplo, já que a faixa ainda é um problema. Humor chapa branca não cola mais em uma nação dominada pelas redes sociais e os dinossauros da TV precisam lidar com isso. Hoje o telespectador está mais crítico e tem o poder de questionar o que é exibido na telinha.
O pior de tudo é saber que a Globo possui em seu cast os maiores humoristas da nova geração no país e, mesmo assim, sempre prevalece a voz da mesma panelinha de profissionais conservadores que acham que sabem tudo de televisão. Uma pena. Além do talentoso Adnet, também estão na mesma Globo os responsáveis pelo sucesso do Porta dos Fundos, Fábio Porchat e Gregório Duvivier. Isso sem falar no Gustavo Mendes, Paulo Gustavo… O que será que “poda” o talento destes grandes profissionais na TV, minha gente? Não tem jeito.
A Globo está passando pela pior fase de sua história: Vídeo Show, Malhação e as novelas das 18h e 19h não conseguem alavancar os índices da casa. E até Amor À Vida, que começou muito bem, está se perdendo em seu roteiro. A bruxa está solta! De qualquer forma, que comece a temporada de apostas: quanto tempo o Divertics vai durar no ar? Isso se não mudarem o formato nas próximas semanas… Aguardemos! #VoltaEsquenta
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AUDIÊNCIA – De acordo com dados preliminares, o “Divertics” registrou 10 pontos de média na Grande São Paulo, referência para o mercado publicitário. Na mesma faixa, o SBT ficou com 5,9 pontos, a Record com 4,5 e a Band, com 2,4. Cada ponto no Ibope representa cerca de 62 mil domicílios e os dados podem ser alterados no consolidado. A margem de erro é de 2 pontos, para mais ou para menos.
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Henrique Brinco estudou jornalismo no Centro Universitário Jorge Amado (Unijorge-BA), de Salvador. Escreve sobre mídia e entretenimento há seis anos em grandes veículos do segmento, tendo seus textos reproduzidos em diversos sites e fóruns.
Por: Henrique Brinco
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