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Por: Marcus Sadok
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Christina Rocha é uma das mais populares apresentadoras do Brasil. Hoje, comanda o “Casos de Família”, no SBT. Mas já apresentou diversos programas na rede de Silvio Santos, entre eles, o sucesso “Aqui Agora” em 1991 e sua rápida segunda versão em 2008.
O “Casos de Família”, que comanda desde 2009, é sempre alvo de muitas críticas no que diz respeito à veracidade dos casos. Mas a apresentadora defende seu programa: “É muito desmotivador ler artigos e ver reportagens tendenciosas de alguns jornalistas e blogueiros que criticam nosso programa, mas elogiam por exemplo programas da concorrência”, diz.
O programa é sempre muito repercutido nas redes sociais, principalmente quando Christina sobe o tom com algum participante. Ela confessou que não pensa nisso quando está gravando a atração: “Na hora em que essas situações acontecem nem penso nisso, porque eu sou real”.
Confira a entrevista de Cristina Rocha:
O “Casos de Família” voltou com edições inéditas. Qual o formato que o programa seguirá?
Voltamos com programas inéditos, quarta-feira 06/11, e na verdade o formato continua o mesmo de quando era exibido no período da tarde. A única diferença é que por causa do horário agora nós temos mais liberdade de colocar no ar temas para um público (mais) adulto.
Exibido às segundas e quartas à noite, o programa se consolidou, formando uma boa dobradinha com Ratinho. Como você vê a evolução dos números de audiência?
Acontece é que o Ratinho e eu temos uma personalidade muito semelhante, e nosso público deve ser o mesmo. Ele e eu somos dois apresentadores populares, nós gostamos de falar com o nosso público da maneira que o povo fala, porque nós somos parte desse povo, e ficamos felizes quando podemos abrir uma janela para eles se expressarem a vontade. Muitas pessoas que não conseguiam assistir o Casos de Família no horário da tarde, agora podem nos assistir à noite, além de que por causa do horário podemos nos expressar mais livremente, e isso eu acho que atrai um público novo para o nosso programa.
O “Casos” sempre é alvo de críticas por ser considerado popularesco e focar em barracos e baixaria. O que pensa sobre isso?
Olha, que bom que você me fez essa pergunta. Vou contar para você que o meu diretor que é estrangeiro fica muito surpreso porque em outros países se uma apresentadora carrega sempre a bandeira da justiça, defende os direitos da mulher, das crianças e briga contra o preconceito de qualquer tipo, ela seria elogiada pela imprensa. Ele acha que as mulheres, inclusive as jornalistas no nosso país, deveriam se ver representadas numa mulher que “bate de frente” publicamente contra homem que bate e humilha a mulher, que defende e informa sobre os direitos daquelas que apanham do marido, do companheiro, etc. Achamos estranho que muitas pessoas ainda não percebam que nós no nosso programa, além de entreter, temos a missão de ajudar e informar através de nossas histórias.
A gente já fez programa com todo tipo de tema, até pedofilia onde a gente convidou dois casos de mulheres que ficaram muito novas com homens bem mais velhos do que elas, uma delas com a permissão da mãe, segundo a filha. E convidamos um psicólogo especialista em crianças abusadas que tem uma ONG, colocamos estatísticas de casos de pedofilia no Brasil, alertamos as famílias com conselhos do nosso psicólogo convidado, informamos constantemente o número de ajuda gratuito, enfim, tentamos fazer nosso melhor trabalho para orientar aos nossos telespectadores. O que aconteceu? Fomos severamente criticados por alguns jornalistas que desinformados, porque nunca contataram ninguém da produção para fazer alguma pergunta, escreveram o que simplesmente acharam que era interessante para “vender” sua nota. É muito desmotivador ler artigos e ver reportagens tendenciosas de alguns jornalistas e blogueiros que criticam nosso programa, mas elogiam por exemplo programas da concorrência.
Algumas pessoas acreditam que o programa é armado, e os casos não são reais. Como apresentadora, você sempre enfatiza a veracidade da atração. Essas acusações te incomodam?
Me incomoda porque ninguém gosta de ver seu trabalho desacreditado, mas sei o quanto a minha equipe trabalha em busca dessas histórias e desses personagens que mesmo pelo conteúdo que as vezes parece tão surreal, existem na nossa sociedade. Agora estou me acostumando a esse tipo de critica, porque em todos os países aonde se produz talk-show sempre existiu essa dúvida, até no começo do show da Oprah Winfrey se questionava a veracidade das histórias. Quando você tem uma missão de mostrar a realidade da vida através de pessoas reais, não tem para que mentir ou falsificar histórias, no Brasil somos 200 milhões de habitantes, você acha que não temos suficientes histórias reais para contar?
O programa tem bastante repercussão nas redes sociais, principalmente quando você faz uso de uma palavra mais direta e de tom mais forte, podendo assim dizer. Você tem noção de toda essa repercussão?
Na hora em que essas situações acontecem nem penso nisso, porque eu sou real e nossos convidados também são, porém reagimos com a maior naturalidade, o mesmo aconteceria se você estivesse na sua casa ou na rua “trocando palavras” com alguém. Agora, me irrito ou fico brava porque também sou assim na minha vida privada diante de alguma situação que me deixa indignada, não suporto a injustiça. É claro que hoje tenho consciência dessa repercussão, mas não me exalto pensando nela ou no ibope, eu sou assim mesmo.
O slogan do “Casos de Família” já foi “Aqui você sempre vai ter uma amiga”. Imagino que seja isso que muitos pensem de você. A mulher que debate casos do dia a dia, defendendo mulheres, gays, e todas as classes. Como é a resposta do público, via internet e nas ruas?
É sempre muito carinhosa. As pessoas me param para contar algum problema que elas estão passando, às vezes até me falam: “nossa fiquei com uma raiva daquele homem que batia na mulher, se eu tivesse lá tinha dado uns tapas nele, não sei como você consegue!”, é muito interessante. Agora quando alguém me fala: “Christina me separei do marido que me batia depois de participar no seu programa” ou “Sabe Chris, minha família me aceitou e tem mais respeito por mim depois de ter assistido seu programa sobre homossexualismo”, eu e a minha equipe ficamos muito satisfeitos por ter tido sucesso em levar para nosso público uma mensagem positiva, isso que eu te falo que no final é nossa missão!
Além do “Casos de Família”, você tem o desejo de apresentar algo diferente no SBT?
Eu adoro fazer o Casos de Família, me sinto muito a vontade e sei que além das críticas, nós ajudamos muitas pessoas, por isso nossa psicóloga de plantão faz parte de nosso formato. Agora eu sempre estou aberta para novos projetos, a disposição das novas idéias da emissora, porém se a Diretoria Artística um dia decide me dar um novo projeto, eu estou mais do que disposta aos novos desafios.
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